Que as nossas palavras tomem nossos corpos e mentes vem esta semana com uma entrevista muito legal com Geise, guitarrista do Nervo e do Absencers, editora do programa de entrevistas Hardcore Choice e uma ótima cozinheira vegana que agora mantém o Vaquinha Feliz comida vegana. Bem, vamos lá conhecer um pouco mais suas opiniões…
Que as nossas palavras tomem nossos corpos e mentes…
1. COMO VOCÊ VÊ A IMPORTÂNCIA DAS SUAS PRODUÇÕES PARA A COMUNIDADE EM QUE VOCÊ ESTÁ INSERIDO?
Sou guitarrista, tenho banda, participo de organização de shows de bandas punk/hardcoreindependentes na minha cidade e região. E atualmente faço a filmagem e edição de um projeto de entrevistas em vídeo chamado “Hardcore Choice”.
Como guitarrista e mulher acho importantíssimo mostrar que existem mulheres que curtem punk/hardcore e que elas podem sim tocar um instrumento e ter uma banda, mesmo que seja com meninos. Meu interesse em aprender a tocar foi porque tive oportunidade de ver e acompanhar bandas com meninas, então espero que eu esteja fazendo o mesmo com as meninas que tenho contato.
Quanto a organizar shows, além de também influenciar outras pessoas a organizarem seus próprios shows, acho importante também mostrar pra galera local que existem ótimas bandas no Brasil, e que elas são formadas de pessoas comuns como nós, que podemos nos relacionar, trocar idéias e criar uma amizade com essas pessoas. Assim se cria um espaço em que as pessoas tenham vontade de participar ativamente, montando bandas ou produzindo algum tipo de material.
O Hardcore Choice foi criado por uma necessidade de resgatar um pouco a essência do feeling do punk/hardcore, compartilhando idéias, como pensamos e como vivemos ao longo dos anos. Então entrevistamos pessoas com quem nos identificamos. Também acho importante passar isso para comunidade em geral.
2. ACHA A EXISTENCIA DESTA COMUNIDADE ESSENCIAL? PORQUE?
Sim, muito. Pelo menos pra mim, me sentiria gritando numa guerra sozinha se não existisse. Vejo ela como uma pequena resistência entre tudo.
3. COMO VOCÊ ENVOLVE O SEU PROJETO, AS SUAS PRODUÇÕES, NO SEU COTIDIANO, NA SUA VIDA?
Na verdade ainda não envolvo muito, Infelizmente eles ainda são minha forma de fugir do cotidiano, mesmo considerando que é a parte mais importante da minha vida.
4. VOCE ACHA IMPORTANTE IR ALÉM DO PUNK/HARDCORE/ANARQUISMO E CHEGAR COM SUAS IDEIAS PARA OUTRAS PESSOAS?
Sim acho importante ir além, mas eu particularmente não gosto de chegar com as minhas ideias para as pessoas sem que elas se manifestem, até porque não gosto de quem chega pra mim descarregando as suas sem eu perguntar. Eu prefiro continuar com as minhas ações e elas por si próprio provoque o interesse das outras pessoas.
5. QUAIS SÃO OS PRÓXIMOS PLANOS?
Ensaiar, gravar e tocar muito com minha nova banda. E conseguir mudar o jogo na minha propria vida, fazendo com os meus projetos e produções sejam 90 ou 100% dela. Voltar a escrever meu e-zine e também trabalhar com comida vegana.
Começamos uma série de entrevistas para o site da No Gods No Masters e para uma versão em papel também, como todo zine deve ser.
Pessoas, bandas, coletivos, espaços, estão recebendo as mesmas perguntas e pouco a pouco vamos divulgando suas respostas e tendo uma noção maior de como estamos pensando e conhecendo melhor uns aos outros. Se você tiver vontade de responder esta entrevista e tiver o que falar, escreve pra gente.
Que nossas palavras tomem nossos corpos e mentes.
A primeira entrevista é com Renato Disangelista, ele nos fala um pouco do que anda fazendo. Disangelista é baterista, tatuador, desenhista, um dos melhores escritores que já conhecemos, zineiro e um grande amigo. Vamos lá?
1. COMO VOCÊ VÊ A IMPORTÂNCIA DAS SUAS PRODUÇÕES PARA A COMUNIDADE EM QUE VOCÊ ESTÁ INSERIDO?
Se produções forem os projetos nos quais me envolvo criando, planejando ou cooperando, tudo o que faço ou tenta compartilhar informações e ferramentas para a construção de uma sociedade mais livre ou tenta questionar e dividir as dúvidas e angustias com quem acho que pode se interessar. Nos comunicando e fazendo chamados podemos dar o primeiro passo para estarmos mais fortes frente a um mundo tão injusto: nos encontrar.
2. ACHA A EXISTÊNCIA DESTA COMUNIDADE ESSENCIAL? PORQUE?
Acho as comunidades de que participo (anarquismo, punk) importantes mas não “essenciais” no sentido restrito. Elas são importantes porque são meios, redes ou plataformas onde formas de vida libertárias (e não estilos de vida) podem surgir para nutrir nossas necessidades da vida enquanto nos encontramos e nos fortalecemos. Mas não acho que é útil ou estratégico nos apegar a um certo meio cultural ou fechado em si. Isso muitas vezes torna difícil o diálogo com outras pessoas na medida em que mantém conhecimentos, linguagens e privilégios dentro dos mesmos grupinhos – ou mesmo classes. Sem falar que além das sub-culturas urbanas de resistência, existe uma infinidade de culturas milenares de resistência, como os povos que habitam esse continente desde antes da invasão europeia. Prefiro ver as sub-culturas como a rachadura que dará origem a culturas inteiras quando esse império estiver para cair.
3. COMO VOCÊ ENVOLVE O SEU PROJETO, AS SUAS PRODUÇÕES, NO SEU COTIDIANO, NA SUA VIDA?
Tento sempre organizar minha vida para que meu cotidiano e minha política não sejam separadas. Desde a forma como vou morar com as pessoas, comer ou me relacionar, como vou ganhar a vida, como conseguir dinheiro ou qualquer recurso. Na prática isso significa viver com o mínimo possível para otimizar meus recursos e tempo para que me associe com outras pessoas interessadas em se organizar. É sempre um ciclo onde o fracasso faz parte do plano.
4. VOCE ACHA IMPORTANTE IR ALÉM DO PUNK/HARDCORE/ANARQUISMO E CHEGAR COM SUAS IDEIAS PARA OUTRAS PESSOAS?
Isso sim é essencial, como disse acima. Esses meios são o laboratório onde acumulamos experiências que, se não forem compartilhadas, vão para cova conosco ou vão acelerar nosso caminho pra ela.
5. QUAIS SÃO OS PROXIMOS PLANOS? ENVIE LINKS E FOTOS!
Por enquanto o que mais me ocupa é o projeto colaborativo Para Mudar Tudo que tá na corrida pra sua segunda edição brasileira, pedino doações e apoio para se manter gratuito e acessível. É um projeto que rompe fronteiras nacionais, culturais e das sub-culturas para falar com todo o mundo – quase que literalmente. A ideia é divulgar o anarquismo como ideia e a anarquia enquanto prática mais comum, acessível e viva do que muita gente pensa. Fico feliz de ter a sorte participar de um coletivo como esse.
Um vídeo seria o vídeo do próprio projeto, que não canso de recomendar e pedir para que compartilhem mais e mais: https://vimeo.com/111304958
Se fotos forem qualquer uma, indico essa galeria de fotos de um figura que esteve nas revoltas de 2013 em Taksin Square, na Turquia, de caráter libertário, mas também nas de Kiev, Ucrânia, onde fascistas tomaram conta das ruas. Ambas são belas, chocantes, inspiradoras e medonhas imagens de um futuro não distante: http://www.barbaroskayan.com/photography/
Normalmente quando compramos um maço de cebolinha cortamos as folhas para cozinhar e jogamos fora a raiz. Isso, para quem ainda tem o habito de cozinhar pois, ultimamente temos ouvido muitas pessoas dizendo que já nem tem tempo mais para cozinhar e por isso desistiram de ter fogão em casa.
Ficamos pensando aqui conosco que se já não temos tempo algum para cozinharmos para nós e para as pessoas que gostamos, o que estamos fazendo com o nosso tempo? Na verdade a pergunta deveria ser: o que estão fazendo com o nosso tempo?
Mas bem, voltemos a cebolinha. Você sabia que mesmo depois de tirar as folhas da cebolinha a raiz pode ser plantada? E que ela vai viver e dar novas folhas em bem pouco tempo? Sim, isto é verdade, fazemos isto aqui em casa e sempre funciona muito bem. Temos sempre cebolinha fresquinha e a cada renovação de folhas o gosto fica ainda melhor. Afinal, nem todo mundo consegue ter hortaliças livres de pesticidas e a cada nova geração ela fica ainda mais limpinha.
O que isto tem em comum com nos livrar do capitalismo?
Veja bem, estão nos ensinando a sermos bons consumistas e já nem notamos quando jogamos fora uma raiz que pagamos por ela e que pode nos alimentar mais vezes.
Estamos vivendo uma era de consumo sem questionamento e , mesmos nós, questionadores de tudo e de todos, temos enraizado dentro de nós o consumo que aprendemos pouco a pouco durante toda a nossa vida.
Um exemplo: Outro dia um amigo se dispôs a cozinhar aqui em casa para todas as pessoas e ele queria fazer um prato com erva doce e por isso queria ir ao mercado. Lhe dissemos que ele podia olhar no canteiro se não teria erva doce e tinha. Quando olhamos, ele insistentemente tentava retirar toda a planta, com raiz e tudo. Perguntamos se ele precisaria de toda a planta e inclusive da raiz e ele nos respondeu que quando comprava no mercado ela vinha com raiz e tudo mas que normalmente ele jogava a raiz fora. Pedimos a ele que pegasse apenas o que iria usar e ele assim fez, a comida ficou deliciosa e a erva doce continuou linda e crescendo cada vez mais, fizemos muitos chás e novos pratos com ela posteriormente.
O que notamos foi que estamos mesmo acostumando com a forma como o capitalismo nos apresenta as coisas e isso se reflete em tudo ao nosso redor. Tudo é comprável e ao mesmo tempo tudo é descartável. A nossa comida, a forma como moramos, a forma como vivemos e a forma como nos relacionamos.
Portanto, pense em um prato delicioso que um dos ingredientes seja cebolinha, retire as folhinhas, guarde a raiz, aproveite cada minuto da sua refeição, convide amigos e amigas, ria, sorria, faça sorrir e depois encontre um vasinho, ou caixote de feira, encha de terra e enfie esta raiz uns dois centímetros dentro da terra, deixe num local bem iluminado, de preferencia com luz natural (do sol, não de lampadas que imitam o sol) e olhe para ela todos os dias. Sempre que precisar de cebolinha, retire apenas as folhinhas que precisará. E se você não tiver tempo para olhar para ela todos os dias, está na hora de você repensar o que escolheu para a sua vida.
Ahh, não se esqueça de regar sua plantinha, assim como com as pessoas, se cuidarmos bem sempre contaremos com elas.
Nos vemos nas cozinhas da vida.
Ahhhh a cebolinha e seus beneficios:
A cebolinha possui vitamina A que é importante ao nosso organismo por atua como anti oxidante, fortalece o sistema imunológico , melhora a visão e ajuda no crescimento do cabelo.
Outra vitamina importante presente na cebolinha é a vitamina C que ajuda na prevenção de muitas doenças e retarda o envelhecimento.
Além das vitaminas, na cebolinha ainda é possível encontrar minerais como cálcio e fosforo e também a niacina que estimula o apetite e deixa a pele mais bonita
Receita simples e deliciosa:
Purê de batata com cebolinha.
Ingredientes
3 batatas médias (batata mesmo, nada de pó de batata desidratada, evite embalagens, comida não nasce dentro de sacos)
5 folhas de cebolinha (olha ai a chance de você ter uma raiz de cebolinha para iniciar seu plantio)
2 dentes de alho (dentes mesmo, não é aquele tempero sabor alho, ok?)
Azeite
Sal
Água (importante ter certeza que este ingrediente está disponível em épocas de racionamento)
Modo de fazer
Coloque uma música que você gosta bastante.
Lave as batatas e coloque-as na água com sal a gosto e com a casca mesmo. Cozinha-las com casca faz com que a textura dela fique super cremosa.
Deixe cozinhar por 30 minutos ou até você notar que ela está bem molinha. Enquanto isso convide alguém para comer com você.
Retire as batatas e com a ajuda de um garfo, retire a casca e amasse, com o mesmo garfo.
Pique a cebolinha e o alho.
Em uma frigideira coloque um pouco de azeite, o alho picado e espere começar a dourar e coloque a cebolinha e assim que o alho estiver douradinho jogue o purê de batatas na frigideira e vá misturando tudo até que esteja tudo bem misturado.
Video-aula sobre os processos que envolvem a montagem do quadro, a revelação da tela, e por fim a estampa da arte em tecido. Uma produção punk faça-você-mesmx!
Cansadx de esperar que alguém lance o disco da sua banda?
Então, que tal fazer isso você mesmo?
Sim!! Isso é possível, aliás além de possível é o melhor a ser feito.
O punk surge exatamente com essa mensagem: Faça você mesmo! E isso tem motivos políticos, econômicos, prazerosos, além de ser totalmente palpável.
Podemos nos aprofundar em todos estes motivos e escrever linhas e linhas sobre cada um deles, com todo o prazer, mas aqui vamos tentar ir direto ao ponto. Vamos partir do ponto que você já tem a sua banda e está bem ensaiado, com uma ótima ideia do que quer ter em mãos.
– Você tem algumas opções para gravar suas musicas:
A primeira opção é um estúdio que te cobra por hora ou por musica gravada;
A outra opção é você ir aprendendo a gravar em casa mesmo, caso você tenha um equipamento razoável. Hoje em dia já se consegue boas gravações com um bom computador e uma ótimanoção de gravação.
Vale lembrar que quanto melhor sua gravação mais você conseguirá transmitir o que deseja e será melhor entendidx.
– Pense que um disco tem um tempo máximo que pode ser colocado nele, um 7? EP cabem 6 minutos de cada lado, um 12? LP cabe 20 minutos de cada lado e isso incluí o espaço entre as musicas. Se o tempo de gravação passar disso seu disco poderá perder bastante qualidade, pois isso afeta graves, agudos e volume. Então é bom pensar direitinho em quanto tempo você precisa para colocar suas musicas.
– Durante a gravação informe ao técnico que isso será lançado em vinil, ele ajustará frequências para soar melhor no seu disquinho.
– Ainda no estúdio peça para colocar as musicas já na ordem que sairá no disco e você deve nomeá-las da seguinte forma:
1a – titulo2a – titulo1b – titulo2b – titulo
– Faça uma master (arquivos que serão enviados para a fabrica) tanto em cd ou em arquivo digital tipo .wav, ouça diversas vezes, em diversos aparelhos diferentes e veja se está do jeito que você realmente gosta.
Na maioria das vezes é legal enviar para alguém masterizar, isto é um processo que dinamiza frequências, volume, brilho da sua gravação. Após este procedimento você já poderá enviar suas músicas para a fabrica.
No Brasil, alguns estúdios fazem este trabalho mas temos utilizado a Mammoth Sound que tem feito ótimos trabalhos com bons preços.
Ahh!! Não se esqueça dos rótulos que vão colados de cada lado do disco, você deve enviar isso junto com a sua master em arquivo pdf, cdr, jpg ou algum outro que a fabrica lhe informar.
– Agora vamos a fabrica, ela que vai colocar sua musica no plastico, no vinil. No Brasil só existe uma fabrica de discos, a Polysom e pelo mundo existem diversas outras. Na Alemanha a Flight13e nos EUA a Musicol Recording.
Veja como são feitos os vinis
Estas que achamos que tem um bom trabalho e um bom preço. No caso de fazer fora do Brasil você precisa pensar em como estes discos vão chegar até você, se por correio, por um amigo que esteja viajando ao exterior. Analise qual é a forma mais possível para você. Lembre-se que pelos correios seus discos podem ser taxados em 60% do valor nas alfandegas e isso é realmente caro.
Você tem a opção de fazer a partir de 300 copias do seu disco, mas quanto mais copias você faz menor o preço unitário e você conseguirá vender seu disco por um preço mais acessível.
– Após isso, enquanto seu disco fica pronto, que leva pelo menos 30 dias, você pode ir confeccionando a capa. Agora é a hora de abrir a mente, deixar fluir a criatividade e analisar suas economias, pois neste ponto você pode fazer capas super baratas e capas super caras. Papelão silkado, recortado, papel cartão com colagens, impressão em gráfica, xerox, stencil, disco somente na capa plastica com algo silkado, são diversas as opções para fazer sua capa, então você pode criar e achar a melhor para você. Inclusive mandar fazer tudo na mesma fabrica, seu disco já vem com capa , embaladinho…isso você escolhe.
– Ahhh, uma outra coisa, como este processo é um tanto custoso você pode convidar amigxs, selos, para dividir os custos e os discos também. O sistema cooperativo funciona super bem para lançar e distribuir discos.
– Bem, agora seu disco está pronto e é hora de você fazer ele chegar nas pessoas. Você pode, você mesmo distribuir e/ou pedir para as pessoas te ajudarem com isso, você pode deixar em alguns pontos de venda que confia, fazer trocas, enfim, fazer esse disquinho que te deu um bom trabalho chegar em mais pessoas.
Para nós o mais importante é mostrar que fazer o disco da sua banda é possível sim e que isso exige muito mais de você do que de outras pessoas.
Agora, pare de reclamar que ninguém se importa com a sua banda. Mãos a obra, lance seu disco você mesmo e com pessoas que estão ao seu redor.
A maior parte das bandas que conhecemos dentro do faça você mesmo, montaram seus próprios selos para lançarem suas bandas, para terem um sonho realizado, foi assim com o Dead Kennedys e Alternative Tentacles, Black Flag e SST, Minor threat e Dischord, Crass e Crass records, Sin dios e La idea, entre tantos outros selos que foram montados pelas próprias bandas.
A musica é a trilha sonora de nossas vidas e o controle dela deve estar em nossas próprias mãos.
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